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Operação da PF faz buscas em gabinetes de parlamentares do PP

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São Paulo, 24/04/2018 – A Polícia Federal deflagrou uma operação na manhã desta terça-feira na Câmara dos Deputados, que tem entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) e tem relação com um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal em setembro passado, no âmbito da Lava Jato, para apurar repasses a políticos do Partido Progressista – do qual Nogueira é presidente.

Depois de um desmembramento do inquérito na semana passada, segue sendo investigado o repasse de R$ 1,6 milhão aos dois parlamentares e aos deputados federais Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Arthur Lira (PP-AL), em 2011, por meio de um contrato fictício com a empresa KFC Hidrossemeadura, pertencente a Leonardo Meirelles e o grupo Queiroz Galvão.

Esses valores teriam sido operacionalizados por Henry Hoyer, que teria assumido o papel anteriormente desempenhado pelo doleiro Alberto Youssef, na operacionalização dos pagamentos de propina de esquemas criminosos na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás. Alberto Youssef e Leonardo Meirelles, ambos colaboradores, prestaram informações na investigação.

O inquérito não trazia informações sobre obstrução de justiça, mas fontes com acesso ao caso informam que um dos motivos da operação desta terça-feira é suposta obstrução de justiça.

A Procuradoria-Geral da República suspeita que o senador Ciro Nogueira e Dudu da Fonte tentaram comprar o silêncio de um ex-assessor que tem colaborado com as investigações da Lava Jato contra eles.

Segundo a PGR, o esquema investigado inclui o pagamento de despesas pessoais, ameaças e até proposta para a mudança do teor de depoimento que incriminaria os alvos da operação de hoje. O objetivo das medidas cautelares é reunir mais provas de que houve atuação para compra de silêncio.

Além de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Márcio Junqueira, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão Houve buscas nos gabinetes dos parlamentares no Congresso Nacional e nos respectivos apartamentos funcionais, em Brasília, além de buscas em endereços residenciais na capital federal, em Teresina (PI), Recife (PE) e Boa Vista (RR).

Até agora, não havia informação nos autos sobre obstrução à investigação.

Inicialmente, o inquérito apurava o repasse de R$ 2,7 milhões da empreiteira Queiroz Galvão sob disfarce de doações eleitorais oficiais ao Diretório Nacional do PP em 2010, para posterior distribuição a parlamentares. Uma decisão do ministro Edson Fachin na semana passada enviou a parte sobre os R$ 2,7 milhões para ser analisada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para apurar a participação de Francisco Dornelles, vice-governador do Rio de Janeiro, que não tem foro por prerrogativa de função no Supremo.

Advogados de Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro afirmaram que os políticos não foram alvo da operação. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Eduardo da Fonte.

Em nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay, disse que a defesa do senador Ciro Nogueira está acompanhando as buscas que estão sendo realizadas na residência e no gabinete do senador.

“O senador se encontra fora do Brasil, não sabendo em qual país e que não foi possível ainda falar com ele. Desconhece a defesa, até o presente momento, as razões da determinação judicial do Ministro Fachin. É certo que o senador sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário, prestando depoimentos sempre que necessário e, inclusive, já foi alvo de busca e apreensão. Continuará a agir o senador como o principal interessado no esclarecimento dos fatos. No momento, a defesa aguarda contato com o senador para poder ter o necessário instrumento de poderes que dará direito ao acesso aos fundamentos da medida de busca e apreensão”, disse Kakay. (Breno Pires, Fábio Serapião e Luiz Fernando Teixeira).

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