terça-feira, maio 14, 2019
Opinião

O mais deprimente anti-espetáculo da democracia

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Passados poucos dias da posse de Jair Bolsonaro, os brasileiros continuam assistindo ao mais deprimente anti-espetáculo da democracia. Setores que estufavam o peito para declamar em prosa e verso uma tal democracia, tornaram-se péssimos e enciumados perdedores. Daqueles que deixariam para trás as pirraças voluntariosas de infantes em tenra idade.

Assim, partidos marxistas e seus fiéis aliados no Brasil – vindos da imprensa em geral -, passaram em coro a entoar a cantilena do fim do mundo, da truculência inexistente e de uma ditadura ilusória. Em voz uníssona, o que passamos a acompanhar foi um choramingo infantiloide e de quem nada aprendeu com a mudança do rumo político, nos últimos anos, no país.

Obviamente que, para os partidos radicais da nossa atrasada esquerda, nada mais natural do que o esperneio de quem luta para manter viva a sua embolorada e fraudulenta narrativa. Mas com relação à caquética mídia, pensávamos que, talvez, algum bom senso bateria às portas do descrédito. Em vão.

A começar pelas terríveis denúncias de, praticamente, “maus-tratos”, quando da posse presidencial. Como se sabe, foi preciso montar um esquema de segurança ímpar, já que o histórico do então candidato, e hoje presidente, deixava claro que há um risco considerável de atentarem novamente contra a sua vida. O episódio do atentado do qual foi vítima Jair Bolsonaro foi solenemente ignorado e vimos uma patota mimada esbravejando pelo direito de curtir seu lanchinho “Mac Feliz” e de usar o playground de suas estórias lúdicas em tempo de realidade. Felizmente, com o advento da internet e das indefectíveis transmissões em tempo real, nas redes sociais, ficou fácil perceber que tudo não passou de um, digamos, descontentamento com a perda de certos privilégios sevados pela camarilha do tucanato-lulopetista.

A imprensa desempenha papel importantíssimo na investigação, fiscalização e no confronto dos homens públicos. Sua liberdade de ação é absolutamente primordial para a democracia. Já a imprensa do Brasil, terra das jabuticabas, em representação considerável, torce contra a democracia, faz tudo para que a vontade do povo seja desconsiderada, ignorada. O que se espera dela é a informação, fatos e não ações em bloco de cunho meramente panfletário e/ou partidário. Ela estava muito mal-acostumada, pois, há décadas, regia soberana, regada a muito dinheiro público, e, sem quaisquer óbices, fazia sua propaganda ideológica. Propaganda esta que, sem dúvida alguma, colocou-nos no estágio atual do nosso atraso.

Uma imprensa que, com o passar dos anos, recusou-se a enxergar a natureza conservadora do povo brasileiro e os anseios de uma nação. Uma imprensa que se trancou no cinema de suas próprias fantasias.

Coincidentemente, tivemos ciência de que milionários contratos privilegiaram jornalistas do “jet set” Global. Uma montanha de dinheiro queimada com palestras de temas duvidosos, pagas com o dinheiro dos pobres brasileiros, e que, certamente, em nada contribuíram para que o país avançasse um milímetro sequer. Aliás, dinheiro público não deveria ser usado para tais propósitos, afinal, somos um país que nem ao menos uma elementar rede de esgoto oferece aos seus habitantes. Contratos feitos com jornalistas que, descaradamente, opõem-se a qualquer tipo de mudança, e que fazem o possível para deixar claro e evidente que o Brasil necessário é o Brasil socialista. Aquele pensamento de 50, 60 anos atrás, desconsiderando o retumbante fracasso da utopia cafona do marxismo. Desprezam fatos, índices econômicos vergonhosos, milhões de cadáveres e crimes, agarrando-se a uma narrativa capenga, capaz de hipnotizar apenas os olhos de seus pares e partidários camaradas.

A voz de comando é atacar todo e qualquer indivíduo que tenha uma outra visão de mundo e que queira tirar o mofo ideológico que infestou o Brasil. Não somente o presidente, mas todos os seus colaboradores viraram alvos móveis dos nossos ativistas, muito bem pagos, diga-se de passagem, disfarçados de jornalistas. Surgiu uma verdadeira força-tarefa para boicotar o novo governo e apoiar os planos dos derrotados. Fazem de uma mosca um elefante. Concentram-se destemperadamente em falas miúdas, metáforas, argumentos enviesados, tudo para convencer seus desconfiados leitores de que o Brasil está à deriva e comandado por perigosos agentes. Uma simples brincadeira pode ser pinçada de um vídeo qualquer, a qual se transforma em um novo “escândalo nacional”, digno de uma encenação de crianças de seis anos.

Montou-se um verdadeiro pelotão de fuzilamento (cuidado, metáfora!) de ideias difusas. A todo instante, publicam matérias que parecem ter saído de revistas de fofocas e sites de intrigas mexicanas. O jornalismo do país tornou-se, lamentavelmente, uma mistura de revista em quadrinhos sem graça com um panfleto da ex-Guerra Fria – em que o inimigo imaginário está prestes a destruir o esplendor da nossa democracia e pujança desenvolvimentista conquistada a duras penas com o sangue e suor dos nossos heróis das redações nacionais. A torpeza ganhou contornos de “Contos da Candinha”, tamanho o rebaixamento de uma classe. Classe que passou a se autopromover, auto-elogiar e se portar de forma incompatível com aquilo que mais bradava: a luta pela democracia.

Paradoxalmente, quem mostra a fúria dos leões na defesa da ideologia que lhes move se diz “atacado” após a mais reles crítica ou mesmo pela confecção de um perfil satírico nas redes sociais. Uma sensibilidade que não combina com suas implacáveis investidas para destruir a reputação de seus desafetos ideológicos. Querem continuar com o monopólio dos ataques e, de preferência, sem quaisquer interferências externas, um misto de soberba e a certeza da impunidade no julgamento do mau jornalismo.

O veneno não anda produzindo efeitos satisfatórios. O Brasil acordou e sabe de que lado a mídia está. Sabe que ela se tornou um partido descarado, capaz de vestir as cores da sua revolução incompleta. E como tal está disposta a defender os interesses da autoridade central. Esteja ela na cela de uma certa prisão, no naufrágio do inferno cubano ou no ignorado genocídio da vizinha Venezuela. Não interessa! A palavra de ordem é atacar, desmerecer, criar factoides, ridicularizar e posar de vanguardista na terra dos mais de 60 mil homicídios anuais e do progresso que nunca se atreveu a chegar.

O vale-tudo vale contra todos. A realeza dos pasquins que perdeu – completamente – o poder de influenciar opiniões e ditar comportamentos não poupa ataques vis e direcionados àqueles que a destronaram. Tal qual fez, de forma deselegante e desarrazoada, a jornalista Lúcia Guimarães, diretamente do conforto e da segurança ‘ianque-trumpista’, que atacou o site Senso Incomum, como se isso fosse fazer alguma diferença para seus leitores e colunistas (como esta que agora vos escreve). Mostrando, assim, que não pode perder a oportunidade de se fazer ainda mais decadente e resistente aos novos ventos que sopram no país.

A realidade é dura, cruel e costuma castigar os teimosos que insistem em negá-la. Não haverá autocrítica, nem tampouco haverá mudança de postura! Morrerão todos juntos (olha a figura de linguagem aí de novo), de mãos dadas, no ostracismo do descrédito profissional – ninguém soltará a mãozinha de ninguém – numa resistência de tolos decrépitos, que, de tanto clamarem pelo futuro e mudanças, não conseguiram perceber que ele finalmente chegou, pelo menos no Brasil da informação, e que hoje existem dois reinos distintos: o Reino da Realidade e a Bolha Míope do Champanhe Real.

Quem viver verá.

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Advogada, Colunista do Jornal Hora Extra e a Reunião.Claudia Wild é nossa correspondente internacional na Alemanha.