A esquerda, em sua eterna busca do lindo paraíso stalinista pós-moderno, procura sempre criar mecanismos de controle. Dentre eles, o mais agressivo, efetivo e vitorioso, é, sem dúvida, o controle semântico, capaz de moldar e subverter a ordem saudável do pensamento humano, seus valores e, consequentemente, seus julgamentos.

Neste sentido, são inúmeras as criações dos nossos “democráticos” marxistas, na sanha de doutrinar, censurar e impor uma nova visão de mundo. Obviamente, a princípio, apresentam um nobre objetivo para uma nobilíssima causa, fundado em inquestionáveis e louváveis virtudes morais. Entretanto, o disfarce é posto apenas para afastar o questionamento dos absurdos que apresentam.

Sao incontáveis exemplos. A famigerada ideologia de gênero é um deles. Essa ideologia não passa de uma construção absurda que quer porque quer tentar convencer a todos que um homem vestido de mulher trata-se, na verdade, de uma mulher, pois ele assim se sente e vice-versa. Ora, o sexo biológico é imutável e, por mais que o indivíduo não se identifique com ele, continuará a mantê-lo até o último dia de sua vida. O nome científico e correto para a situação é disforia sexual, em que há um desconforto com o sexo de nascimento e uma identificação maior com o sexo oposto. Trata-se de um transtorno/distúrbio da ordem do desenvolvimento sexual, assim catalogado nos anais médicos. Com a apresentação da nova teoria, a “ideologia de gênero”, querem aposentar postulados genéticos imutáveis para dar lugar a uma construção social para a vigência de novos paradigmas.

Outro exemplo, dizer que no Brasil existe uma “cultura do estupro”. Uma falácia sem fim, pois é só darmos uma olhada como a tal “cultura” é vista dentro do universo prisional brasileiro. Um crime que não encontra perdão nem mesmo entre criminosos. O que há no Brasil é a cultura da impunidade que permite que TODOS os crimes sejam praticados, e os seus autores não sejam punidos por suas ações. Com a repetição do embuste, querem, mais uma vez, fiscalizar e dirigir o comportamento humano em prol de suas pautas ideológicas.

Todavia, a mais preocupante inovação semântica do momento é o tal “discurso de ódio”. Nele, poderá ser colocada toda e qualquer manifestação que desagrade à patota dita progressista. O discurso de ódio é a nova ferramenta para calar os cidadãos, calar o senso comum e aprofundarem no politicamente correto. Discurso de ódio não existe. Existem discursos criminosos, discursos que extrapolam no direito de manifestação, e que são devidamente tipificados em lei, que podem trazer crimes variados, tais quais os crimes contra a honra: calúnia, injúria, difamação, que se vislumbram no ataque punível feito contra a honra subjetiva ou objetiva da pessoa. Temos ainda o crime de ameaça, que é ameaçar alguém, por palavras, gestos, ou outros meios, de lhe causar um mal injusto e grave. Outro caso de exposição criminosa é o discurso que incentiva a prática de um crime. Enfim, são inúmeros casos em que poderemos encontrar esse tipo de manifestação delituosa. A intenção é jogar todo e qualquer discurso que desagrade ao politicamente correto (e a agenda progressista) na conta do lacônico discurso de ódio. Assim, poderão controlar o que pode ser dito, escrito e circula na sociedade. Traduzindo em uma única palavra: censura. Trata-se da porca e velha censura com roupinha nova, perfumada e adaptada às necessidades do “novo mundo” que querem criar – tentaram diversas vezes – e que nunca acaba bem.

Ora! Quem extrapola em sua manifestação ou opinião – partindo para a prática delituosa – deve responder por isso, e ponto. A discordância com a vertente politicamente correta ainda não pode ser considerada um crime. A aceitação pacífica da existência onipresente do “discurso de ódio” será um enorme passo para a regulamentação e até mesmo tipificação deste bizarro delito em construção. A ferramenta é perigosa e, caso não seja contida em breve, poderá criminalizar toda e quaisquer opiniões contrárias às dos controladores sociais. Conforme foi noticiado, a ONU promete, por meio de um “Pacto Migratório” a ser firmado entre nações, a regulamentarão e, portanto, a criminalização de críticas e opiniões contrárias à imigração. Segundo ela, ONU, o discurso de ódio será ampliado para que migrantes não sejam discriminados. Vejam que sempre aparece uma proteção nobre e para justificar o controle. Todavia, o que está em jogo é uma nova engenharia geopolítica para que o Ocidente viva uma onda migratória sem precedentes, e que tudo seja feito, de preferência, sem críticas ou opiniões contrárias: o sonho de todo déspota marxista. O paradoxal é que, para a ‘humanista e bondosa’ esquerda, não há maledicência e nem ódio em seus raivosos discursos. O “ódio do bem” é permitido, ignorado e não passa de uma reles opiniãozinha, não é?

É importante que não aceitemos tais imposições, pois delas virão a mais ferrenha censura. As redes sociais já mostram a tendência da criminalização da opinião com suas respectivas sanções, julgamentos sumários e cumprimento das penas impostas pelos justiceiros sociais. O autoritário pensamento marxista nunca admitiu a liberdade de expressão e a democracia. A partir dessas duas premissas, resta a eles recorrerem a todo tipo de inovação para atingirem seus conhecidos fins. A guerra semântica é a primeira guerra a ser vencida. Dela dependerá nosso sucesso na manutenção da nossa liberdade de expressão, nos simulacros de democracia que vivemos.

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