Cidade

Libertas, Antena 2 não !

Fundada em 1975, a Rádio Libertas FM é sem dúvida motivo de orgulho de todos os Poços Caldenses. Não há sequer um lugar no Brasil e até no mundo onde não se tenha ouvido falar desta emissora, que muito fez e continua fazendo pela cidade.
Como em todo veículo de comunicação, críticas e sugestões são sempre muito bem vindas. E é isto que mantém aquecida a chama que fomenta o compromisso de bem servir à população.

Antena 1, JB FM, e o estigma

Um dos maiores estigmas que acompanha a emissora de Poços de Caldas, que opera na frequência regulamentada de 99,5 MHz, é que ela tenha que emitir uma programação idêntica à também aclamada Antena 1 de São Paulo, ou JB FM, emissoras, da iniciativa privada, e que possuem investimentos da ordem de milhões de reais, tanto em equipamentos, quanto profissionais de produção. Fato que se torna inviável até mesmo por questões de direitos autorais, segmentação, e público alvo.

Segmentação

Poços de Caldas possui cerca de 200 mil habitantes, e uma rápida olhada nos índices do IBGE, não permite a segmentação com base simplesmente no gosto musical de uma parcela ínfima, sendo necessário a inclusão de programação que possa agregar o maior número de ouvintes dentro deste contexto, abrangendo a maioria das classes sociais.
Por exemplo, a informação tem que ser percebida por ouvintes da classe A até a C de maneira idêntica, com isonomia, e que permita o cidadão formar sua opinião, enquanto acompanha o rítmo e direção do mercado musical. Não se pode em hipótese nenhuma excluir determinada classe ou preferência musical quando não se tem um público a nível de capitais por exemplo, onde por questões geograficas, pode-se segmentar seu produto, no caso a programação, inclusive porque são emissoras da iniciativa privada, e não possuem as restrições estabelecidas pelo Ministério das Comunicações, para esta categoria de Emissoras.

Rádio Pública, um convite sedutor à oportunistas eventuais

Na condição de emissora pública, educativa, há que se tomar muito cuidado com oportunismo e auto-promoção injustificadas de orgãos e pessoas interessadas em “Contribuir para conteúdo veiculado”. Falando diretamente à respeito de orgãos, ongs e entidades, que sob a justificativa de promover determinada ação social, cujo objetivo único é inserir no contexto a promoção sem custos de determinada personalidade ou evento sem as devidas características e exigências legais.

Rádio Pública um convite sedutor à censura

Por outro lado, como emissora pública, frequentemente existe uma sedução incessante da censura à determinado conteúdo veículado. Por exemplo, programas jornalísticos, onde o debate entre profissionais da emissora, foi duramente criticado por vereadores, sob a desculpa de que em emissora pública não se pode emitir opinião pessoal, sendo que quando o alvo dos “debates” e não de opinião pessoal, eram os próprios vereadores em questão, a censura foi feita sob o manto do desconhecimento da imparcialidade. Emissora Pública é para isso, tornar público os fatos e acontecimentos do Município, levando até os ouvintes, a verdade, de maneira clara , e não ficar se submetendo à conveniências do legislativo.

Jornalismo? Que Jornalismo?

Sempre houve, na Rádio Libertas em específico a pretensão de se colocar no ar, dependendo da administração em vigor, programas jornalísticos, principalmente voltado à manifestação dos Prefeitos e Vereadores respondendo à questões e dúvidas do cidadão. O problema destes programas, é que existia uma filtragem prévia, sob quais questões serão respondidas e quais não serão. Na maioria das vezes, programas gravados, passíveis de edições. Obviamente essas pretensões foram barradas, e com raras excessões veiculadas, por via de força maior, resultando em sindicâncias e processos, conforme o caso. Houve um episódio em que um jornalista foi censurado, tendo sua entrevista sido retalhada, comprometendo toda uma rede de mobilização política, que se pretendia arquitetar em uma determinada gestão. Inclusive a contratação de uma pessoa de belo horizonte, para ensinar os editores da emissora a rezarem a missa foi notória e ilária, e no fim das contas foi tolerado por se tratar de uma imposição do então Secretário de Comunicação, porém com ressalvas.

Ouvinte ao vivo!

O verdadeiro jornalismo só se concretizará na emissora, quando, em programas deste tipo, a participação do entrevistado for ao vivo e com a participação dos ouvintes, também ao vivo através do telefone, caso contrário, será apenas enfeite de penteadeira, regado à likes e comentários em redes sociais. O que nada agregará de produtivo ou que se possa formar uma real opinião à respeito, sempre sob a sombra de dúvidas. Entrevistas têm que por sua própria natureza ser realizadas “Ao Vivo!”, com a participação de ouvintes também “Ao Vivo”, nada mais, nada menos que isso.

A Crítica Direcionada e com Interesses Especiais

Criticar, sugerir, e até mesmo fornecer alternativas, são excelentes jardins para a criatividade. No entanto, há que se observar atentamente o contexto, a ocasião, a origem e também as consequências que envolvem determinadas ações no intuito de prencher determinadas lacunas.

Recentemente uma solicitação sobre a programação da emissora oriunda do Coletivo Pólis, causou estranheza, pois ficou no ar a impressão de que este mesmo coletivo não ouve a emissora, que implementou com sucesso o Puc Psicologia, programa produzido pela própria faculdade e veículado em diversos horários na emissora. Também estão inseridos na grade da programação o “ Vozes do Brasil” , programa no qual é veiculado diariamente de 11h00 às 12h00 o melhor da música popular brasileira, e entenda-se por isso um leque de opções das mais variadas possíveis, indo de Elis Regina à Wanderléia, passando por Pixinguinha, Roberto Carlos, e inclusive Altemar Dutra, Silvinho, e outros grandes nomes da MPB. E este mesmo cuidado com a MPB pode ser observado na programação normal da emissora no decorrer das suas 24 horas no ar.

A Rádio Libertas realiza campanhas beneficentes, como divulgar as ações do hospital Boldrini em Campinas-SP, do pronto socorro de atendimento Jacks, da AACD, Hemocentro, SAMU, PM, PRF, Polícia Civil,entre muitas outras que são constantemente divulgadas, sem falar nas campanhas institucionais de trânsito, saúde e bem estar, culminando com o Viva a Vida da Pastoral da Juventude, tudo muito bem equilibrado e em doses discretas para que a programação não seja massante.

O que muita gente não sabe, inclusive o Coletivo em questão, é que se pode anunciar de maneira gratuita, qualquer campanha beneficente, resguardadas as caracteríscas comercias, estas vedadas por natureza, sem custo nemhum.

A promoção da Cultura, depende exclusivamente do interesse, uma vez que a emissora sempre disponibilizou espaço na programação para talentos regionais, basta enviar a produção em formato mp3 para o e-mail, e se for aprovado, será inserido na programação. A divulgação de eventos culturais nos modulos informativos sempre está presente de hora em hora.

Incentivo

Apesar de todas as dificuldades encontradas para se manter uma programação lider de audiência, conforme pesquisa realizada recentemente, a Rádio Libertas, não gera gastos, não é dispendiosa, e se mantém com muito pouco recurso destinado à ela. Durante várias gestões, muito pouco foi realizado para manter esta emissora alinhada com os atuais padrões de radiodifusão. Como emissora do município, passa desapercebida pela câmara municipal, que prefere homenagear e exaltar outro orgão de comunicação privado, da cidade. Nunca houve sequer uma cerimônia de homenagem e com certeza a maioria dos vereadores, sabe sequer a data de aniversário da emissora, fato nada diferente da administração anterior, onde inclusive foi cogitada a criação da TV libertas, em detrimento de se direcionar estes recursos para a Emissora Oficial do Município.

Os investimentos para se criar tal TV seriam da ordem de milhões de reais, inclusive para mantê-la. Por que fazer isso, se se poderia investir esse dinheiro na emissora do município? O que impede o investimento e o olhar carinhoso dos vereadores? O óbvio, apesar de terem espaço na programação, não teriam um programa dedicado, como acontece na iniciativa privada, até porque a lei não permite, caso contrário, teríamos até transmissão e cobertura em tempo real dos eventos da câmara, recheado com uma unidade volante (veículo) e equipamentos de última geração, destinados a garantir uma excelente qualidade de transmissão dos atos e desatos dos senhores vereadores. É pra inglês ver!

Enfim a Rádio Libertas nada mais é do que aquela vela que você acende quando acaba a Luz, do ponto de vista administrativo. O bom é saber que ela esta lá guardada na gaveta.

 

Vale salientar que as medidas propostas, foram implementadas, pelo Assessor de Imprensa, e atual administração, em sincronismo com toda a equipe. Dentro do proposto, nova identidade visual, novos programas de entrevista, nova plástica e novo conteúdo musical, se encontra à caminho, dentro do orçamento curto, e dentro do que é permitido pelo estatuto da emissora, e notoriamente sem o apoio da câmara de vereadores, que pela própria natureza, deveria zelar, para que a emissora do município,possa ser mais atuante, sem reservas, e poder mostrar de uma vez por todas todo o seu potencial.

Querer uma antena 1 de uma emissora que nem antena tem, ja é pedir demais!

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Radialista, técnico em rtv, blogueiro, aficionado por tecnologia e comunicação.

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