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Editorial

Estamos perdendo a capacidade de nos frustrarmos

Por que não estamos conseguindo lidar com o sentimento de frustração? Como fazer dele um aliado ao auto-conhecimento na evolução de nossas vidas.

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A capacidade de entendimento, das sensações de felicidade, prazer, amor, negação, frustração, rejeição, aceitação, entre outros aspectos, contribuem para sermos o que somos da maneira que somos. Para cada necessidade, há que se avaliar, se realmente existe e em que nível de importância esta necessidade está.

Um fenômeno sutil, está tomando uma dimensão cada vez maior entre as novas gerações, e se tornando um fato preocupante.

Competitividade é incentivo ao conhecimento

Estamos perdendo a capacidade de lidar com as frustrações do dia a dia, e extravasando cada vez mais isto no chamado stress. As pessoas estão cada vez mais egoístas, e confundindo competitividade, com status social.

Nos dias de hoje, qualquer situação que não se concretize como o esperado, gera motivos para martirização e vitimização. A tão importante frustração não está sendo sentida como deveria, e isto é um sinal claro de que estamos na contramão da evolução, sentido caos existencial.

É preciso frustrar-se, tanto quanto é preciso ser feliz. Não há como manter um equilíbrio, sem que se conheça os extremos, e extremos neste caso não tem nada a ver com limites, muito menos como licença poética para deprimir-se.

Criou-se uma maneira de pensar, na qual há que ser vitorioso, custe o que custar, mas esqueceram-se de que para alcançar o sucesso, é necessário que alguém fracasse, pois não há como existir dois vencedores, uma vez que o sucesso é também, o resultado da vitória de um fracasso.

Se você torceu a mente, ou ficou confuso, certamente nunca analisou o outro lado desta questão, que é simplesmente a arte de driblar os contratempos.

É necessário que crianças, jovens e adultos, experimentem a sensação de fracasso em determinadas situações, e quanto mais cedo isto acontecer, melhores serão as chances de se evitar estresse desnecessário e prejudicial.

Experiências negativas também ajudam a fortalecer o desenvolvimento

Dar de cara com o fracasso, nunca será licença para o conformismo, muito menos resiliência. Conviver com o inesperado é, em essência, aventurar-se pelo desconhecido existente em cada um de nós. E nada melhor do que nós mesmos trilharmos estes caminhos, afinal não há ninguém mais em seu interior, e isto jamais poderá se tornar justificativa para diminuir o valor ou importância de outras pessoas. É o caminho para encontrar o seu valor entre elas, e é isto que importa.

Há quanto tempo você não pára para se conhecer? Indícios de que você está mais preocupada/o com como será visto pelos demais tem tomado muito do expediente do seu raciocínio. As pessoas estão cada vez mais preocupadas em fracassar, e criam em seu imaginário, situações que vão preencher as expectativas alheias, mas jamais as suas. Em essência você inconscientemente já cometeu um fracasso.

Quando pessoas conseguem conquistar nossa admiração, é porque estas pessoas já fracassaram tanto, a ponto de conhecerem os limites impostos por suas derrotas, e ultrapassá-los, não como vencedor, mas como mais um corredor em uma maratona, que não possuem o foco dos holofotes.

A caminhada para a felicidade necessita que valorizemos cada um de nós.

Pois para que haja um vencedor, sempre deverá existir um segundo, terceiro, quarto lugares e assim sucessivamente até o último colocado. E cada um possui seu valor e importância. Pois o real fracasso é não participar desta maratona chamada vida. Não há vida sem um último colocado, não há vida sem um oitavo lugar, não haverá maratona sem seus participantes. E nunca haverá vencedores, se não houver quem precise se inspirar nestas vitórias. Nunca desista da vida.

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