quinta-feira, abril 25, 2019
Opinião

Capítulo de Hoje : Monotrilho

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O Jornalista José Carlos Polli conta um pouco da história do monotrilho, e faz uma análise dos possíveis rumos que ele poderá tomar.

Embora a notícia de que a empresa devolveu a concessão do Monotrilho tenha sido anunciado como um fato positivo para o governo municipal, a atitude pode se transformar em uma tremenda dor de cabeça para a administração comandada pelo tucano Sérgio Azevedo. De agora em diante, a prefeitura passa a ter total responsabilidade pelo futuro e o que acontecer com a geringonça daqui prá frente, um projeto futurista que acabou se transformando em uma enorme estrutura de concreto abandonada, corroída pelo tempo e com parte da estrutura envolta por árvores e vegetação, agredindo o paisagismo das avenidas João Pinheiro e Mansur Frayha.

A partir de agora a administração passa a sofrer enorme pressão para encontrar algum investidor corajoso que se interesse pela concessão, coisa difícil de acontecer, uma vez que o projeto está ultrapassado e sem os requisitos exigidos pela lei de mobilidade urbana, a começar pela acessibilidade em suas estações.

Se não aparecer alguém interessado em assumir a concessão, não haverá outra saída a não ser o desmonte da estrutura, um trabalho caro, difícil e que vai gerar enorme transtorno na avenida. Outro problema será encontrar uma forma de transportar e quem sabe utilizar os três quilômetros de vigas em concreto para alguma outra finalidade.

A boa notícia pode acabar se transformando em mais uma dor de cabeça para a prefeitura resolver e o que é mais grave, além de assumir a responsabilidade pela manutenção, ainda corre o risco de ser condenada pelo Judiciário, a pagar uma indenização para a concessionária que pede indenização pela queda de parte da estrutura, ocorrida no início do ano 2001, na gestão do prefeito Paulo Tadeu, ocasionada por um serviço mal feito de drenagem no ribeirão.

Cabe ao prefeito analisar com sua equipe qual a melhor saída para se livrar do equipamento que embora tenha nascido como mais uma atração turística e transporte de massa, com os seus 30 quilômetros de extensão, nunca foi além de um pequeno trecho ligando o terminal urbano ao terminal rodoviário.


Editorial

A afirmação de que nunca ninguém fez nada para resolver o problema do Monotrilho não é verdadeira. Em maio do ano 2.000, ao assumir a secretaria de turismo, nomeado pelo prefeito Geraldo Thadeu, chamei o sr. Joel Ferreira, que é meu amigo de muitos anos, na época não pude contar com a presença do seu irmão, Juracy porque ele já estava um pouco adoentado.

Disse ao Joel que precisava dar um jeito de colocar em funcionamento o Monotrilho, caso contrário eu, que havia sido um dos apoiadores do projeto e trabalhado por sua aprovação em 1981, iria encabeçar um movimento para a paralisação das obras e seu desmonte.

Dois dias depois o empresário me procurou na secretaria perguntando qual era o dia do meu aniversário, respondi que seria no dia 18 de agosto. No dia 18 de agosto do ano 2.000 tive a honra de junto com o prefeito, Geraldo Thadeu e o representante do Ministro do Turismo, Carlos Melles, inaugurar o Monotrilho fazendo a sua primeira viagem até o terminal rodoviário.

Inauguramos também naquela noite a Festa Uai, que diante da promessa do empresário de que colocaria o equipamento para funcionar, transferi também a festa para a área de estacionamento do estádio municipal e criamos ainda a Expopoços no ginásio poliesportivo. Foi a maior festa já realizada e com um detalhe, aberta no mesmo dia e hora da inauguração do Monotrilho.

O equipamento turístico funcionou com muito sucesso, principalmente entre os turistas, até o dia 14 de dezembro, quando, em uma viagem de retorno ao centro, a parte dianteira do Monotrilho saiu do trilho, numa falha do operador, obrigando os bombeiros a retirar os passageiros por uma escada pelo fato de os idealizadores do projeto não ter projetado uma porta de um dos lados do vagão.

Problema de fácil solução e que seria resolvido em pouco tempo. Foi quando a secretaria de obras, no governo Paulo Tadeu colocou no ribeirão uma máquina tipo gafanhoto para fazer o desassoreamento do ribeirão. Próximo a ponte de acesso ao Jardim Country Club, a máquina avançou além do previsto na retirada do barranco, ocasionando a queda de um dos pilares e duas vigas. Não fosse esse acidente e o Monotrilho talvez estivesse funcionando até hoje.

Um problema que seria de fácil solução se os administradores da época tivessem um pouco mais de habilidade e diálogo com os proprietários da empresa, porém, ao que parece faltou boa vontade para a busca de uma solução e o equipamento permaneceu inativo indo a questão parar na Judiciário onde se arrastava até esta terça-feira, quando o responsável pela empresa decidiu pela devolução da concessão a eles outorgada pelo poder público municipal.

A atitude do prefeito Sérgio Azevedo em aceitar a devolução pode até ter sido fruto de uma boa intenção uma vez que já já passou da hora de se dar um fim ao problema que com a deterioração da estrutura em concreto coloca em risco a vida de pessoas.

Faltou, no entanto, assim como na administração do prefeito Paulo Tadeu, habilidade para solução do problema. Não existe nenhuma dúvida quanto a necessidade de desmonte da obra, o Monotrilho hoje ficou inviável por uma série de problemas, a começar pelo corte das árvores, estrutura deteriorada e uma tecnologia totalmente ultrapassada, além da falta de acessibilidade nas estações.

Quem acompanhou a sua montagem sabe que a empresa possui equipamentos e pessoas treinadas e que conhecem todos os detalhes da obra. É sem sombra de dúvidas quem tem a melhor capacidade a um custo mais baixo para fazer o desmonte.

Faltou combinar com o empresário Joel Junqueira (infelizmente hoje seu irmão Juracy, o idealizador do projeto, não está mais vivo), uma parceria da seguinte forma: a prefeitura aceita a devolução, desde que vocês nos ajudem a desmontar toda estrutura do monotrilho.


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Jornalista, Assessor de Imprensa. Editor do Blog do Polli.