Em seu primeiro compromisso internacional, o presidente Jair Bolsoanaro discursou, ontem, em Davos, para uma plateia de políticos e empresários, no conhecido evento chamado Fórum Econômico Mundial, criado em 1971, que ocorre em janeiro de cada ano, na charmosa cidadezinha suíça. Ele reúne líderes políticos e a nata de endinheirados do planeta, e, tradicionalmente, discute não só políticas econômicas, mas também temas interligados, como meio ambiente e globalização.

Conforme esperado, Bolsonaro seguiu rumo ao país alpino com sua modesta comitiva, formada pelos principais ministros de seu governo, dentre eles Paulo Guedes e Sérgio Moro.

No acontecimento, além do seleto grupo de bilionários, participam importantes chefes de Estado, investidores, intelectuais, jornalistas especializados, analistas financeiros e profissionais do mercado de ações – que, atentos, esperavam pela exposição do governante brasileiro.

Jair Bolsonaro apresentou um discurso curto – de apenas seis minutos -, abordando temas objetivos sobre as diretrizes e propostas do seu governo. Abordou exatamente aquilo que o fizera governante: tomar medidas drásticas para abrir a economia do Brasil, desburocratizar, dar segurança aos investidores e passar confiança quanto à equipe técnica. Muito diferente daquilo que estávamos acostumados a ouvir dos representantes brasileiros, em Davos, nos eventos anteriores. Foi aplaudido e, conforme dito em entrevista na CNN Money Switzerland, por Alastair McCaig, diretor de investimento da Fern Wealth, expert do mercado de ações e gestão de investimento, foi “um discurso moderado e profissional”.

Todavia, jornalistas brasileiros trataram imediatamente de desqualificar e até mesmo ridicularizar a apresentação do presidente brasileiro. Segundo o colega de empresa de Roberto D´Ávila (recentemente delatado por Antônio Palocci, que imputa-lhe crime de lavagem de dinheiro e corrupção, quando da direção do filme sobre a vida do ex-presidente Lula), o correspondente internacional da Rede Globo, Guga Chacra, “o discurso de Bolsonaro em Davos foi uma decepção. Curto e sem profundidade, repercutiu mal entre integrantes do fórum econômico. Não deve ter convencido ninguém a ficar com uma imagem mais positiva do Brasil”. Ou como desastrosamente publicado pelo jornal El País Brasil, que, de forma curiosa, trouxe uma matéria com um título negativo para seus leitores em idioma português e publicou em língua espanhola a mesma matéria, porém, com um título diferente e favorável com relação ao que tinha sido falado por Jair Bolsonaro.

Fato é que, segundo boa parte das críticas apresentadas pela mídia brasileira, Bolsonaro não agradou – como era esperado. As alfinetadas foram, sobretudo, acerca do conteúdo discorrido e sobre a “breve duração” de sua alocução. Bolsonaro realmente não falou muito e foi direto aos temas que pretendia trazer ao colóquio suíço. Talvez estivessem seus críticos saudosos dos longos e conhecidos discursos dos antecessores Lula e Dilma. Lula, por exemplo, afeito à apresentação de toda espécie de mentira e bravata, quando palestrava mundo afora. Conforme, muito orgulhoso, confessou em vídeo de fácil visualização na internet, no qual o fanfarrão declara que “cansou de viajar o mundo falando mal do Brasil, que era bonito a gente viajar o mundo falar que no Brasil tem 30 milhões de crianças de ruas… A gente ia citando números (sic)”. Ou então os saudosos discursos da mulher que explanava sobre a estocagem de vento; sobre a figura oculta – que é o cachorro – atrás da criança; ou, quem sabe, sobre a importância da mandioca para o desenvolvimento nacional. Ambos sempre aplaudidíssimos e elogiados pela mídia nacional/internacional camarada que os apoiaram. Alguém já se esqueceu de que Lula fora eleito o “Estadista Global do Fórum Econômico de Davos”, no ano de 2010?

Se não nos falha a memória também, a então presidente Dilma Rousseff, em sua última aparição em Davos, falou nada menos do que 35 minutos sobre seu “esforço para controlar os gastos públicos”, fazendo uma defesa do que chamou “modelo social brasileiro”. Não precisamos repetir os acontecimentos recentes aos quais a ilustre palestrante foi apeada do cargo por cometer crimes de responsabilidade, as chamadas “pedaladas fiscais”. A sucessora do atual presidiário, Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a mais de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, a governante perdulária que deixou mais de 12 milhões de desempregados e um rombo assombroso nas contas públicas do país, foi elogiada pelos atuais críticos de Jair Bolsonaro. Os mesmos críticos que passaram anos ignorando as práticas pouco republicanas dos petistas e a farra que fizeram com o dinheiro do pobre contribuinte brasileiro.

Em 2019, Jair Bolsonaro foi fiel ao seu estilo austero – típico dos homens forjados na caserna, acostumados com mais ação e menos falação. Ele foi, sim, direto, conciso, objetivo e preferiu deixar uma outra mensagem: a de que pretende trabalhar para que tudo que deu errado no Brasil não se repita em seu governo, e que, principalmente, trabalhará para que os prováveis investidores possam confiar na estabilidade vindoura, e, que, finalmente tenha o país uma economia de mercado, que é o que interessa na terra arrasada pelo modelo atrasado proposto pelo Foro de Sao Paulo e seus agentes.

Assim, podemos dizer que o novo presidente brasileiro saiu-se muito bem, mostrou a que veio e não deve estar preocupado com o “modelo social” defendido pela ex-guerilheira Dilma Rousseff. Ao contrário, quer se ver livre desse modelo apodrecido, corrupto e fracassado, que pode até contar com a simpatia hipócrita dos endinheirados, mas que – no final das contas – o modelo a ser seguido é bem outro, e é ele que garante a realização do referido Fórum na próspera e capitalista Suíça e não na decadente e arruinada Havana.

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